sábado, 2 de janeiro de 2010

Madeira para acolher

A madeira é um recurso cada vez mais valorizado nos projetos paisagísticos. Relacionada a aconchego, ela protagoniza espetáculos visuais na área externa e aparece em novas versões, mas com o encanto natural de sempre

Texto Gabriela Pestana e Thaís Lauton

Graças ao uso da madeira, tudo remete a aconchego na área externa de 250 m² desta casa no Ipiranga, em São Paulo. Designer de interiores, Cristiane oliveira, a moradora, tirou partido da matéria-prima em vários pontos, para conseguir um ambiente em que pudesse receber bem amigos e familiares.

Como gosta de cozinhar, Cristiane criou o banco de peroba-rosa, 4 x 0,45 x 0,40 m, na área da varanda onde está a churrasqueira. além de acomodar as visitas, o móvel rodeia o espaço e assume as vezes de guarda-corpo. No mesmo ambiente, uma horta vertical feita de vasos-latões presos a uma antiga grade garante o toque especial às receitas realizadas ao ar livre.amadeira aparece, ainda, nas “bolachas”de troncos de árvores instaladas no piso de cimento queimado com borda de tijolos. “Gosto dessa combinação, pois me lembra a infância na casa de minha mãe”, diz a moradora.

O astral de casa do campo fica por conta das miniazaleias plantadas nas jardineiras feitas com madeira de demolição, 0,60 x 0,20 x 0,24 m, abaixo das janelas. O material também foi escolhido para os degraus da escada feitos de dormentes – intercalados por grama e maria-sem-vergonha – e para o painel de pínus do jardim de inverno, onde estão os vasos de espada-de-são-jorge.

Madeira também pode ser ecologicamente correta

Fonte: Diário do Nordeste

Tornar as habitações seguras, confortáveis, funcionais, eficientes e acessíveis é uma busca que vem desde o tempo que o ser humano habitava as cavernas. Mas os “progressos” conquistados trouxeram conseqüências que vão além do conforto, trazendo outro tipo de inquietação, como o esgotamento dos recursos naturais, o custo ambiental de produção de alguns materiais e o acúmulo crescente de resíduos.


Mesmo sendo renováveis, não há florestas suficientes para a produção de móveis, portas e adornos de madeira maciça para todas as casas do planeta. Achar materiais que substituam - melhor e mais duradouramente - os processos construtivos, diante da escassez premente, já não bate à porta: está muito bem instalada dentro de casa.

Assim, a utilização de materiais descartados na confecção de móveis e objetos de decoração é uma alternativa com o adicional de conferir qualidade e o requinte às peças. É exatamente isso que o construtor e permacultor Vicente Giffoni vêm fazendo há anos.

Genro do proprietário do maior depósito de material de demolição de Fortaleza, Chico Alves, ele conta que teve contato com a possibilidade de reaproveitar esse material em suas freqüentes passagens pela Região do Cariri, no sul do Ceará.

Acrescida a aproximação que fez com a Permacultura (cultura da permanência), passou a fazer, sob encomenda, móveis com madeira e outros materiais provenientes de demolição. Da mesma forma, construiu uma casa, num condomínio no distrito de Capuan, em Caucaia, utilizando esses princípios.

Madeiras nobres e maduras - como o pau-d´arco (ipê), angico, aroeira, maçaranduba e amargoso -, com a vantagem da imunidade a pragas e a beleza das marcas deixadas pelo tempo, são aproveitadas com um toque de arte, introduzido por acessórios, como azulejos.

Na casa construída por Giffoni com tijolo natural, há telhas francesas de um galpão demolido na Avenida Duque de Caxias; portas e janelas de cedro aproveitadas integralmente; outras portas, janelas e até o assoalho do andar superior feito com madeira de assoalho que alguém substituiu por cerâmica; divisórias de pinho proveniente de caixotes de frutas; e banheiros com azulejos também resultantes de sobras que ninguém quis mais.

Giffoni explica que, com uma viga de sustentação em maçaranduba de uma casa demolida, é possível construir um móvel inteiro.

No mesmo condomínio, ele já providenciou madeira e telhas para outras construções. Numa delas, produziu venezianas largas, com madeira de assoalho, para garantir ventilação e iluminação naturais.