Tornar as habitações seguras, confortáveis, funcionais, eficientes e acessíveis é uma busca que vem desde o tempo que o ser humano habitava as cavernas. Mas os “progressos” conquistados trouxeram conseqüências que vão além do conforto, trazendo outro tipo de inquietação, como o esgotamento dos recursos naturais, o custo ambiental de produção de alguns materiais e o acúmulo crescente de resíduos.
Mesmo sendo renováveis, não há florestas suficientes para a produção de móveis, portas e adornos de madeira maciça para todas as casas do planeta. Achar materiais que substituam - melhor e mais duradouramente - os processos construtivos, diante da escassez premente, já não bate à porta: está muito bem instalada dentro de casa.
Assim, a utilização de materiais descartados na confecção de móveis e objetos de decoração é uma alternativa com o adicional de conferir qualidade e o requinte às peças. É exatamente isso que o construtor e permacultor Vicente Giffoni vêm fazendo há anos.
Genro do proprietário do maior depósito de material de demolição de Fortaleza, Chico Alves, ele conta que teve contato com a possibilidade de reaproveitar esse material em suas freqüentes passagens pela Região do Cariri, no sul do Ceará.
Acrescida a aproximação que fez com a Permacultura (cultura da permanência), passou a fazer, sob encomenda, móveis com madeira e outros materiais provenientes de demolição. Da mesma forma, construiu uma casa, num condomínio no distrito de Capuan, em Caucaia, utilizando esses princípios.
Madeiras nobres e maduras - como o pau-d´arco (ipê), angico, aroeira, maçaranduba e amargoso -, com a vantagem da imunidade a pragas e a beleza das marcas deixadas pelo tempo, são aproveitadas com um toque de arte, introduzido por acessórios, como azulejos.
Na casa construída por Giffoni com tijolo natural, há telhas francesas de um galpão demolido na Avenida Duque de Caxias; portas e janelas de cedro aproveitadas integralmente; outras portas, janelas e até o assoalho do andar superior feito com madeira de assoalho que alguém substituiu por cerâmica; divisórias de pinho proveniente de caixotes de frutas; e banheiros com azulejos também resultantes de sobras que ninguém quis mais.
Giffoni explica que, com uma viga de sustentação em maçaranduba de uma casa demolida, é possível construir um móvel inteiro.
No mesmo condomínio, ele já providenciou madeira e telhas para outras construções. Numa delas, produziu venezianas largas, com madeira de assoalho, para garantir ventilação e iluminação naturais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário